.


“Você é o que pensa. Você é o que procura. Você é o que faz”. Bob Richards
Mostrando postagens com marcador poeta. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poeta. Mostrar todas as postagens

19 de out. de 2011

FICA COMIGO

FICA COMIGO

Venho dizer que te amo.

A vida
Só contigo faz sentido.

Caminhando juntos,
as tristezas se afugentam.
Chorando juntos,
um seca as lágrimas do outro.
Orando juntos,
nossa fé se multiplica,
os problemas se esbatem,
a saúde se restaura,
a preocupação se esvai.
Venho dizer que te amo.

Fica comigo mais um pouco,
Faz-me bem a tua companhia.
Confiemos esperanças,
desamores,
sonhos, quimeras mil,
oiçamos os pássaros,
o vento fustigando a vidraça.

Jamais a solidão
embaçando nosso presente.
Eu estou aqui.
Sinto-me bem junto a ti.

Aconchega-te na manta,
escuta essa música
que também é pra mim.
Esse livro aí,
lê em vós alta,
também quero ouvir.

É bom estarmos juntos.
Volta sempre
eu fico aqui.

Manuela Silva Neves
 
DEDICO ao meu marido que faz anos a 24/10
São 69 Beijos.

2 de mai. de 2011

Ladaínha de Sentidos






Eu queria ser diferente
Quando te vejo
O meu desejo
Era olhar-te sem ver
Simples lampejo
Do teu corpo ondulante.
Queria passar por ti
Tranquilo, calmamente
Mesmo distante
Como de tanta gente
Por quem passo;
E Intuir-te a graça
Mas sem olhar p’ra ti.
Queria apartar de mim
O pensamento
Qual tormento
Do teu falar cantado
O doce acento
E a tua boca
Onde o sorriso brinca
E resplandece;
Como posso esquecer
O que não esquece?

Quem dera não parecer
que vou enlouquecer
por querer sentir-me imune
ao teu encanto;
Prouvera eu te ligasse tanto
Como me importa
O odor perfumado
Deste cigarro
Que fumo e logo esqueço
Quando se apaga o lume.


Mas só ando a fingir
Que não me iludo
Ganhei cisma em não querer
E queria tudo
Só que não sei mentir-me
Sou sincero,
E não posso fingir
o que não sou.


Sei que é estranha em mim
Esta dúbia atitude
De querer afastar
a quem venero
por não poder esquecer
o que não sei se quero:
- quem nunca, de si, um pouco me quis dar.

Eugénio de Sá
Reservados Direitos de Autor

IN:  http://chuvadeletras.no.sapo.pt/indexEugenioSa.htm




3 de jan. de 2011

PORTUGAL

Portugal


Maior do que nós, simples mortais, este gigante
foi da glória dum povo o semideus radiante.
Cavaleiro e pastor, lavrador e soldado,
seu torrão dilatou, inóspito montado,
numa pátria... E que pátria! A mais formosa e linda
que ondas do mar e luz do luar viram ainda!
Campos claros de milho moço e trigo loiro;
hortas a rir; vergéis noivando em frutos de oiro;
trilos de rouxinóis; revoadas de andorinhas;
nos vinhedos, pombais: nos montes, ermidinhas;
gados nédios; colinas brancas olorosas;
cheiro de sol, cheiro de mel, cheiro de rosas;
selvas fundas, nevados píncaros, outeiros
de olivais; por nogais, frautas de pegureiros;
rios, noras gemendo, azenhas nas levadas;
eiras de sonho, grutas de génios e de fadas:
riso, abundância, amor, concórdia, Juventude:
e entre a harmonia virgiliana um povo rude,
um povo montanhês e heróico à beira-mar,
sob a graça de Deus a cantar e a lavrar!
Pátria feita lavrando e batalhando: aldeias
conchegadinhas sempre ao torreão de ameias.
Cada vila um castelo. As cidades defesas
por muralhas, bastiões, barbacãs, fortalezas;
e, a dar fé, a dar vigor, a dar o alento,
grimpas de catedrais, zimbórios de convento,
campanários de igreja humilde, erguendo à luz,
num abraço infinito, os dois braços da cruz!
E ele, o herói imortal duma empresa tamanha,
em seu tuguriozinho alegre na montanha
simples vivia – paz grandiosa, augusta e mansa! -,
sob o burel o arnês, junto do arado a lança.
Ao pálido esplendor do ocaso na arribana,
di-lo-íeis, sentado à porta da choupana,
ermitão misterioso, extático vidente,
olhos no mar, a olhar sonambolicamente...
«Águas sem fim! Ondas sem fim! Que mundos novos
de estranhas plantas e animais, de estranhos povos,
ilhas verdes além... para além dessa bruma,
diademadas de aurora, embaladas de espuma!
Oh, quem fora, através de ventos e procelas,
numa barca ligeira, ao vento abrindo as velas,
a demandar as ilhas de oiro fulgurantes,
onde sonham anões, onde vivem gigantes,
onde há topázios e esmeraldas a granel,
noites de Olimpo e beijos de âmbar e de mel!»
E cismava, e cismava... As nuvens eram frotas,
navegando em silêncio a paragens ignotas...
– «Ir com elas...Fugir...Fugir!...» Ûa manhã,
louco, machado em punho, a golpes de titã,
abateu, impiedoso, o roble familiar,
há mil anos guardando o colmo do seu lar.
Fez do tronco num dia uma barca veleira,
um anjo à proa, a cruz de Cristo na bandeira...
Manhã de heróis... levantou ferro... e, visionário,
sobre as águas de Deus foi cumprir seu fadário.
Multidões acudindo ululavam de espanto.
Velhos de barbas centenárias, rosto em pranto,
braços hirtos de dor, chamavam-no... Jamais!
Não voltaria mais! Oh! Jamais! Nunca mais!
E a barquinha, galgando a vastidão imensa,
ia como encantada e levada suspensa
para a quimera astral, a músicas de Orfeus:
o seu rumo era a luz; seu piloto era Deus!
Anos depois, volvia à mesma praia enfim
uma galera de oiro e ébano e marfim,
atulhando, a estoirar, o profundo porão
diamantes de Golconda e rubins de Ceilão!

Guerra Junqueiro, in 'Pátria'

IN: CITADOR

9 de dez. de 2010

EXTREMOS

EXTREMOS


Autor: Humberto Rodrigues Neto

Os que nascem fadados a ser reis,
já têm por berço, da fortuna os louros.
Em pequenos, Luiz quinze e o dezesseis
iam dormir sobre autênticos tesouros!

Dormiu Augusto sobre iguais abrigos
de que Alexandre hauriria o esplendor.
E assim foi com os monarcas mais antigos,
de Ramsés a Nabucodonosor!

Talvez pensassem que a felicidade
trouxesse ao infante aquela aura inata
aos linhos, aos dosséis e à alacridade
dos brocados rendados a ouro e prata!

Mas o maior dos reis já conhecidos
fugiu das sedas que a vaidade doura,
e foi doar seus primordiais vagidos
ao capim seco de uma manjedoura!

25 de nov. de 2010

A Idade da Vida

Surgiste
- e a lua piscou, contente,
e os teus lábios, docemente,
beijaram em seu reflexo,
os meus olhos o meu rosto...

Acariciei sua luz
nos teus dedos.

Surgiste
- e tudo ficou diferente...
Até o luar desceu
em segredos de menina
e veio ter àquela esquina,
onde estavas,
tu e eu.

Manuela Silva Neves
(Aluena)

IN:   http://jardinsdepoesia.com.sapo.pt/
--------------------------------------------

13 de out. de 2009

ODE a "PAÇO de ARCOS"


Enlaçada ao rio de prata,
És terra de mil odores,
Entre o divino e o profano
Simbiose em pensamentos
Paço de Arcos és real
etéreos teus movimentos.

Atiro meus versos ao vento
Inefáveis vibrações
No sonho do pensamento
São magia multicores
Jungida ao teu movimento
És terra de mil odores…

Eterno deambular
Farol, barcos, céu e mar
Entram barra em ritual

Patrão Lopes, seu herói,
O Tejo canta em poesia
Em seu terno cintilar.

Poetas cantam louvores
União em mil odores
Entrelaçam céu e mar
Num eterno marulhar.

Manuela Silva Neves
ABRIL 2008
Paço de Arcos - PORTUGAL

19 de jun. de 2008

O MAR

Balbuciando no seu marulhar
Como em ondas de enleio
Rolando em águas cruzadas
Soam suaves líricas no ar.

Consciência global que expande
Harmonias vivas em coragem
Enleadas espumas desmaiadas
Vai e vem de espantos e paixão!...

Rendilhados evoluem numa dança
Jardins de poemas e enredos
Grávidos espantos, líricas a envolver!...

MAR!... Onde o amor é mais profundo
Consciência de quem muito amou
Algas, areias e corais, sinfonias e bruma!...

( Manuela Silva Neves )

Homenagem ao Grupo
http://www.avpb.olga.kapatti.nom.br/academicos_avpb/112_MANUELA_NEVES.htm